26 junho, 2007

new jack ataca na alta noite



CONTRARIANDO TERCEIRAS INTENÇÕES de amigos & enfeites de repartição, a ambition blonde jamais teve algo de gelado & quem quase entrou numa fria foi um certo pensador do ocaso, metido a poeta & outras coisas do coração & que nem supunha o que fosse amar de fato. A bem da verdade, quem poderia imaginar àquelas alturas, que o pequeno carro amarelo seria tão útil & eroticamente subversivo, estacionado no ermo noturno do Velho Parque? Ninguém, é claro & muito menos o cara do acaso que dias antes derramara cevada na baby look azul-claro dela com todas as más intenções juntas & a possibilidade da troca de roupa enquanto poderia discernir os pôsteres teatrais no seu quarto. Agora, só finalizando o que sequer se cogitou começar, a não ser que se considerem telefonemas com tons de medos & vontades um princípio ativo, agora o cara anda dizendo por aí a quem possa interessar, que não pode continuar na pasmaceira de dormir mais cedo & passar fins-de-semana em companhia de meteorologistas barrocos, senão corre o sério risco de desalojar-se de algum coração que por acaso inspire maiores cuidados & se isso acontecer, ele já prometeu acorrentar a solidão, galopar na sensibilidade que lhe foi servida, cortando com precisão as madrugadas errantes da cidade & enfim, buscar a heroína de pele clara, beijo quente & mãos irresistivelmente perigosas, pra refletir sobre aquele livro de poemas que só ela conseguiu vislumbrar um dia. SÓ ELA.
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wallace puosso

alice & baco bacana no país da banana



ALICE RESOLVEU DAR UM TEMPO & parou pra tomar um trago com um cara estranho com um chapéu meio barroco & roupas saídas de algum bazar hans staden & lá pelas tantas da madrugada ela apanhou um manuscrito empoeirado em algum canto & sussurrou coisas impublicáveis, dizendo entretanto, que quem estava dramatizando o papel era eu. Imagina só: Fulano, Beltrano & Ciclano jamais aprovaram alguém com menos de um metro & sessenta falando coisas sérias & é claro que isso exclui as atrizes senão, o que seriam das lagartixas? A bem da verdade, coca-cola & macieira é uma mistura perturbadoramente infernal & dá fluidez ao espírito. Alice subiu no primeiro carro que surgiu, desconsolada com leituras dramáticas & cantadas baratas: desconfio que o faça por uma saudade danada do cheiro das glicínias na primavera & qualquer dia desses é capaz de tornar-se uma roira perfidamente sutil, ao som de uma rumba louca em pleno carnaval. Era uma vez nos anos cinqüenta & lá se foi a turma mais animada que se tem notícias. Quando o Estranho Simpático adentrar no saloon grounge, já irá longe a gaivota psicodélica que jamais fez verão acompanhada da salada insosa & desvairada em que se tornou as cabeças pensantes dessa cidade. Ao fim da noite, sucumbo ao sabor da felicidade & acqua fresca ao lado de um corpo claro & satisfeito & confabulo olhando pro teto quadriculado a procura de estórias & achando que todos chegaram (sempre chegam) a alguma definitiva conclusão: depois da invenção da roda, o que realmente faz a diferença é a banana.
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wallace puosso


Esse conto remete ao carnaval de 93, num típico carnaval de salão, com banda ao vivo, decoração lúdica e uma enorme mesa com frutas tropicais. Um conto com o bom humor que permeava as mesas do bar grounge 26º no final das noites e a Alice, metáfora de uma paixão quase secreta. HÁ TEMPOS SÃO OS JOVENS QUE ADOECEM...
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estrangeiro



É ÓBVIO QUE SABES / não aprendeste apenas / nos semanários e científicos. Artaud? Sartre? Nietzsche? Von Daniken? David Bowie é póstumo há anos / Roberto Piva emaranhado / na bela e desgovernada paulicéia / jamais faria jus à baderna instituída / da arte contemporânea / medíocre / media mass / mediana / uma parte da arte. Estás certo / pelo acerto de forças / que somente aos poetas cerca / tudo está por ser criado. Quintana? Nei Lisboa? Walter Franco? Walter Salles recria-se como oroboro / continuamente. Somos estrangeiros / numa terra estrangeira / conhecida e inexplorada.
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wallace puosso


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