24 outubro, 2008

nossa vida já vale uma banda de rock





Parece vício, mas é só tédio. O que me compõe. Por hora nada muda: grito seco & surdo. A memória é o paraíso & o gatilho da arma. Com que frequência somos verdadeiros? Com que coragem? O colorido da retrato emoldurado sobre a mesa de centro denuncia: você já sorriu um dia. Lembra-se de quando foi feliz? Lembra-se dos amigos, das piadas e dos porres? Brilho eterno de uma lembrança tardia. Lembro-me de estadas & partidas. Brilho nos olhos, estradas sem fim. o rigor rebelde dos dezoito. Ser aceito é tudo que se quer. Nossa vida já vale uma boa banda de rock.
.
.

wallace puosso

11 outubro, 2008

anotação de borda de página


...

Andei com homens que estavam nos lugares mais altos – os pregadores, os políticos, os homens de negócios, professores e editores.
Comi carne com eles, tomei vinho com eles, andei de automóvel com eles e estudei com eles. É verdade, encontrei muitos que eram honestos e nobres; mas, com raras exceções, não estavam vivos. Realmente acredito que poderia contar as exceções com os dedos das minhas mãos.
Quando não estavam mortos pela podridão moral, atolados na vida suja, eram apenas a morte insepulta – como múmias preservadas, mas não vivas.
Neste sentido, poderia especialmente citar professores que conheci, homens que vivem de acordo com o decadente ideal universitário, “a perseguição sem paixão da inteligência sem paixão”.
.

JACK LONDON
(O que a vida significa para mim)

08 outubro, 2008

uma trilha sonora
.
Eu tenho uma trilha sonora.

Descobri “Cidade Grande” em dezembro de 2001, no mesmo dia em que Cássia Eller se foi.
Uma perda, uma descoberta. No simultâneo inusitado, um momento de magia.

Ainda hoje, ouvindo atento a narrativa musical de Nei Van Soria em “Mundo Perfeito”, fica a sensação de reconquista de algo esquecido pelo tempo, pelos males da contemporaneidade.

Gosto de canções que dialogam com o que sinto e desejo. Coisas pra se pensar.

Memória, amor, amizade, esperança, saudade, medo, recomeço.

Não conheço Porto Alegre, mas ouvindo atentamente uma ou outra música, parece que nunca saí de lá. O que fere qualquer sentido metafísico.

Mas... que graça tem a vida se não tiver um tanto de fantasia?
Wallace Puosso

PS.: Paulo, teu blog me inspirou de novo. Pra você ver como são as coisas... Valeu mano velho!