30 junho, 2009



outra



Carrego na lembrança
a memória do que fui
carrego em meus braços a ausência
desejo de ser outra
a ausência
desejo de ter em meus braços
o que nunca foi meu
ontem, sonhei que era outra
e outra vez fui tua

solidão.



wallace puosso

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PARTE UM - Poema feito a partir de cenas desenvolvidas no processo de pesquisa para "A Distância Entre 2 Caminhos, com previsão de estréia para 1º semestre de 2010.

27 junho, 2009



círculos concêntricos



Algumas coisas parecem fazer sentido / na medida exata / em que deixam o sentido se fazer
O casual
O que o pensamento não racionaliza
Círculos concêntricos / co-existindo a partir da pedra atirada na água / sem mira
Os círculos são formados / sem que pensemos numa forma de fazê-los
Água é cristalina não pelo reflexo / mas porque corre / sempre
Um movimento que co-existe
É preciso deixar que as palavras se digam / não explicativas mas essenciais
Metáfora é tempero para um bom texto / quando não se exagera
Metáfora é o que não se visualiza / Apenas se sente
Metáfora


wallace puosso

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25 junho, 2009

parênteses


01) Ele tem um sorriso meio torto. Mesmo não achando graça de muita coisa.


02) Uma passagem de ida pra Oceania já valeria a pena.

03) A família já não se reúne à mesa de jantar. Cada um na sua.

04) A aliança vive esquecida num canto da cômoda. Ela nem se incomoda.

05) Amor é artigo de luxo. Nem na Daslu a gente encontra.

06) Acreditava que tudo era possível. Até que o impossível aconteceu.

07) Uma rua chamada Magnólia. Um filme com Tom Cruise. Às vezes, dá certo.

08) Colecionava provérbios, mas era incapaz de conversar. Casa de ferreiro...

09) Só precisava de trinta dias. Ficou desempregado antes.

10) Colocou os pés pra cima, acendeu o charuto, sorveu o scotch. Vida boa é isso.

11) No site na Nasa, fez sua viagem intergaláctica. Hoje vive no mundo da lua.

12) Férias são parênteses numa longa frase. Servem de respiro pra seguir adiante.



14) Supersticioso, aboliu o número 13 da sua vida.


wallace puosso, junho de 2009


Esse poema faz parte da série denominada "conflitos contemporâneos", desenvolvida por mim, Oswaldo Jr. e Reginaldo Gomes, desde janeiro deste ano. O tema é sempre semanal e tem análise crítica dos envolvidos.
A idéia de escrever em forma de lista, veio depois que li um texto da Inês Motta no blog Pequenitudes (http://pequenitudes.blogspot.com/).
Uma coisa que inspira a outra que inspira a outra e...
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23 junho, 2009


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backing vocal


Passei meses tentando entender você
palavras, opiniões, posts, torpedos
frases que sempre terminam em “não”
nunca levam a nada
você sabe

Escrevo porque isso me mantém atento
não vivo preso à saudade
nem me lembro mais o quanto foi bom
aquele momento
- Aquele que nós...
-
Ah... deixa pra lá.

Eu sempre pego o bonde andando
sempre fico na última fila
e nunca encontro quem preciso
- Não... ela não mora mais aqui...
A voz metálica no interfone.

Estou tentando ficar limpo, você sabe
longe do que me atordoa
e me torna inconstante
conquisto as coisas pelo avesso
pelo tempo invertido

Ainda acho que alguns encontros
tornam-se necessários
porque renovam e são divertidos.
Amigos também são conquistas
confiança, respeito e afeto
já não sei se existe o errado e o certo

eu quis fazer parte da sua banda
mas nem cantar eu sei...


wallace puosso, junho 2009
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20 junho, 2009



Sobre vôos cegos e e-mails vagos


Ele diz que é artista
mas só sabe reclamar
nunca tem nada, nunca quer nada.
Ele ainda manda e-mails
dizendo que vai se matar
bobagem...
e-mails são tão vazios de intenção
quanto uma bexiga cheia de nada
ele então é como uma bexiga
silvando pelos cantos...
mas a vida pede muito mais que isso
atitude é artigo raro
é como ir à caça confiando só no faro.
Vamos com calma: um dia de cada vez
ele sobreviveu ao vôo 447
poderia ter sido qualquer um
mas artistas não andam de avião.
Talvez por isso vivam tanto.


wallace puosso, junho de 2009

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Homenagem quase póstuma a um fulano que se diz artista em SJCampos. O buraco é (sempre) mais embaixo.
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18 junho, 2009



paradinha para um café no meio da tarde
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Tem dias em que nos sentimos eternos, noutros somos breves.
Num dia sorrimos, depois silenciamos.
O desejo é uma forma externa e nos move sobre o mundo. E o tempo nunca, nunca pára. Nós é quem damos corda. Damos corda ao tempo, aos momentos e ainda assim acreditamos que o tempo muitas vezes é injusto conosco.
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wallace puosso
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15 junho, 2009


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mais estranho que a ficção


ELA: Adivinha o que eu estou assistindo?
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ELE: Hummmm... Nem sei....
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ELA: "CSI"!

ELE (RINDO): Sabe tudo de programação noturna...

ELA: Só dos seriados... E domingo de manhã, tem “Lances da Vida”, que eu adoro mas só por causa da abertura e da música.

ELE:Lances da Vida”...?!?! what is this?

ELA: Você nunca assistiu? Passa no SBT, todo domingo, 11 da manhã. Na verdade eu nem ligo muito para o seriado, eu adoro a abertura e a música (de abertura).

ELE: Acho que assisti algum domingo desses...

ELA: É meio parecido com “Barrados no Baile”, só que com mais conteúdo...

ELE: Esse eu cheguei a assistir também...

ELA:O.C - Um Estranho no Paraíso”, conhece?

ELE: Sim... mas só vi uns pedaços, nunca assisti inteiro!

ELA:Lances da Vida” é bem parecido com “O.C.”. Sou viciada nesses seriados.
Preciso parar com isso, é coisa de muito tempo, quando eu ainda era menina. Já assistia “Barrados no Baile”, “Confissões de adolescente”, “O Renegado” e “Maré Alta”.

ELE:Confissões...” era legal...

ELA:Esquadrão Classe A

ELE: BJ? DJ?

ELA (RINDO): BA!!!

ELE: Eu sabia que era alguma coisa assim, eu sabia...

ELA: Era o que tinha medo de andar de avião, lembra? Tinham que “desmaia-lo” toda vez que iam viajar...

ELE: Igual a você...

ELA: Sim igual a mim... Ah... também assistia “Xena”, “Hercules”...

ELE: Não entendi. Tem que “desmaiar” você também?

ELA: Não... eu me dopo de remédios pra dormir sozinha...

ELE: Ave Maria...

ELA: É verdade, tenho medo, ué...
(SILÊNCIO)

ELE: Eu tenho medo de você, ué...

ELA: Porquê? O que eu foi que eu fiz ?

ELE: Porque você se dopa pra dormir, tem medo de avião, assiste “Xena” e gosta do BA...

ELA: Não assisto mais, assistia. Fazer o quê? É um vicio, tinha que ter um - e os meus vícios são os seriados de TV americanos. Olha só: eu não gosto de “Malhação”!!

ELE: AVEEEE MARIAAA. Acho que já está bom de coisas trashs... “Malhação” já seria demais...

ELA:Malhação” é punk!! Você vai me amar menos porque gosto de seriados?

ELE: Claro que não! Eu amo você a cada dia mais, mesmo gostando da "Xena", mesmo idolatrando o BA!!!

ELA: É engraçado...

ELE: Engraçado mesmo era o Jerry Lewis antes das caretas do Jim Carrey.

ELA: Eu preciso de coisas toscas na minha vida. Preciso ser uma pessoa normal de vez em quando, sabia?. Por isso tenho os seriados de TV como companhia, de vez em quando! Eu não assisto “Xena” todos os dias, nem “Esquadrão Classe A”, seu bobo!!

ELE: Minha filha você não tem mais jeito...
20 Pai Nosso e 30 Ave Maria...

(SILÊNCIO)

ELE: Estou me matando de rir aqui, imaginando a sua cara!

ELA: Se contar pra alguém essas coisas eu te mato. De verdade!!!

(SILÊNCIO)

(CAI A CONEXÃO)
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wallace puosso

12 junho, 2009




Pra Onde Você Vai
Lobão


Nas paredes escrevia o seu nome
Pra tentar esquecer
No espelho assistia à própria dor
De lembrar
Na sala vazia, a televisão ligada,
Uma tentação de existir
Na cama, sem dono, perguntava
Como tudo foi acabar

Minha aventura
Pra onde você foi?
Pra onde você vai?

Se ao menos, tanta coisa que se
Vive junto não evaporasse assim
Se, ao menos, na hora dela me deixar
Precisasse um pouco mais de mim
Se, ao menos, no escuro eu
Conseguisse apagar
Dormir sem sonhar, apenas
Dormir sem sonhar…

Minha aventura,
Pra onde você foi?


Hoje é um dia triste. Bem triste. Não pelo dia em si. Soube de coisas que não deveria saber. E resolvi apagar o passado. Tudo, tudo. Não ficou nada pra contar qualquer tipo de história. Não quero mais passar por isso, não quero mais me sentir assim. E fim.
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Saiu no site do Ministério das Relações Exteriores




Santa Cruz e La Paz - Festivais de Teatro
Grupos brasileiros fazem apresentações em cidades bolivianas


Encerrou-se, no dia 26 de maio de 2009, a VII edição do Festival Internacional de Teatro "Santa Cruz de la Sierra". A mostra contou com a participação de diversos grupos brasileiros.
A apresentação da peça "Toda Nudez Será Castigada", da Cia. Teatro da Cidade, mostrou-se inovadora ao romper com o tradicional palco italiano, o que possibilitou a aproximação do público com a trama do dramaturgo Nelson Rodrigues e direção de Claudio Mendel. Com a performance "Por instantes de felicidade" a Quasar Cia. de Dança também mostrou excelência.
Ainda como parte do festival, a companhia Arte in Vitro executou o espetáculo "Quase de verdade". O enredo trata de duas moradoras de uma cidadezinha do interior que, de tanto inventar e aumentar casos, acabam confundindo ficção e realidade, verdade e mentira. Com grande conhecimento em física, o ator Celio Amino encantou os público com números de mágica.
No último dia do evento, o grupo Seres de Luz fechou, em alto estilo, a participação brasileira com "Convocadores de estrelas". O espectadores compareceram em grande número às performances.
A temporada teatral na Bolívia continuou com o festival "Escénica", em La Paz. A cidade foi nomeada como Capital Ibero-Americana da Cultura de 2009. O evento, assim como em Santa Cruz de la Sierra, apresentou as montagens teatrais "Toda Nudez Será Castigada" e "Quase de verdade", e repetiu o sucesso de público do Festival Internacional.
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10 junho, 2009


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Era uma vez no futuro (ou o Ano do Cometa*)


Era uma vez o futuro
ele desejou que tudo fosse
um pouco diferente
com algumas coisas
mantidas como estão:
amigos por perto
esperança, sonhos, promessas
e um vinho sempre aberto
as crianças
montando quebra-cabeças
no chão da sala
tentando entender o mundo
pela ótica dos detalhes.
Era uma vez eles e ele
ouvindo Dylan, Clapton, Tom Waits
e vivendo a plenitude
do que chamamos prazer
no rosto, nas mãos as marcas
na alma uma quietude.
Já não se fazem amizades
como antigamente

diria o barbeiro, o dono da quitanda
e o motorista de táxi.
Pela janela do carro o tempo escorre
como gotas de uma chuva
que jamais pára
mas há beleza nisso
porque os poetas olham o mundo
com sensações de cor e alento.
Talvez fosse preciso um passo inicial
um primeiro momento
a sensação de serem eternos
eles e suas conversas regadas
a Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec
dizem que os vinhos são eternos
mas o que dura pra sempre
são as lembranças de hoje
e elas, estão guardadas
com os amigos, com quem amamos.
Era uma vez o futuro
num lugar e num tempo
não tão longe daqui.



wallace puosso, junho de 2009
para Oswaldo Jr.

* O título se refere a uma garrafa de vinho da safra de 1811 (o ano da passagem de um cometa conhecido como O Grande Cometa)
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Esse poema faz parte da série denominada "conflitos contemporâneos", desenvolvida por mim, Oswaldo Jr. e Reginaldo Gomes, desde janeiro deste ano. O tema é sempre semanal e tem análise crítica dos envolvidos.
Ouça Tom Waits, leia Kerouac.
A vida pode ser de outra forma...
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07 junho, 2009



virtual


Você me disse
que não sou mais o mesmo
e acho que não sou mesmo
nem me lembro mais
de cartas escritas à mão
telegramas de felicitação
e longas conversas
quando ainda se usava olhar nos olhos
mas isso faz muito tempo.

Você me disse
que ando distante, ausente
orgulhoso, insolente
que não tenho mais saudade
acho que você tem razão
como o tempo que passa
e não pede licença
as coisas desbotam, amarelam
mas não deixam de ser lembranças.


Você me disse
que não sou mais romântico
e há muito tempo
não deixo a porta aberta
e nem o coração
acho que você está certa
mas ainda ouço vinil
e prefiro conversas ao vivo
penso que um amor só é possível
se erros forem deixados para trás.


Você me disse
que destruí seus sonhos
com minha palavra
e meu olhar ausente
e nem me dei conta
acho que é isso mesmo
hoje a gente ama e nem sente
acho que isso aponta
um outro sentido mais figurado
para o que acabamos nos tornando:


como um bicho acuado
em momentos de dor e solidão
ele grita, se debate e ataca
mas com coração ainda dócil
espera paciente um afago
um momento adormecido
um olhar mais terno
um abraço há muito esquecido.


wallace puosso, maio de 2009
Esse poema faz parte da série denominada "conflitos contemporâneos", desenvolvida por mim, Oswaldo Jr. e Reginaldo Gomes, desde janeiro deste ano. O tema é sempre semanal e tem análise crítica dos envolvidos.
Se puder, leia Shakespeare. Tão atual como nunca.
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03 junho, 2009



atravesso noites
não como notívago
mas deslumbrado
com o que tens de bela



wallace puosso

02 junho, 2009

Salinger, de novo




Editora lança caixa com três obras do autor de "O Apanhador"

CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo

Antes de virar o maior ermitão da história da literatura recente, ao se trancafiar em uma choupana no topo de um morro na cidadela norte-americana de Cornish, há redondos 50 anos, o escritor J.D. Salinger, 84, espalhou por sua obra, como quem joga farelos a pombos, indícios do universo à vácuo no qual se enfurnaria.

Em seu clássico "O Apanhador no Campo de Centeio", de 1951, o adolescente por excelência das letras contemporâneas Holden Caulfield enuncia: "Há coisas que deviam ficar do jeito que estão.
A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz...".
Nenhuma das editoras que publica o escritor em mais de 70 países talvez tenha levado as frases do escritor nova-iorquino tão a sério quanto a sua casa brasileira.
Foi em 1965 que o Brasil viu "O Apanhador" chegar por aqui -perdão pela digressão, mas vale dizer que o livro "veio" de Kombi. Um trio de diplomatas brasileiros no exterior, Jorio Dauster, Álvaro Alencar e Antônio Rocha, despachara dos EUA com um amigo os originais que haviam traduzido, sem ter quem os publicasse. Um dia, o rapaz viu uma Kombi passar com o nome Editora do Autor e um telefone. Ligou e pronto.
Foi por ela, essa editora criada pelos autores Fernando Sabino, Rubem Braga e Walter Acosta, que Salinger chegou ao Brasil.Era 1965 -ano em que o escritor-eremita tornava público nos EUA seu último texto (a história "Hapworth 16, 1924", publicada na revista "New Yorker")- e as 48 horas na vida de Holden Caulfield, 16 anos, logo viraram sucesso em território brasileiro.
Dois dos outros três livros que completam a obra de Salinger chegariam ao país em 1967: "Nove Estórias" e "Franny e Zooey".No mesmo ano, a "Kombi" mudou de donos. Sabino e Braga deixaram a Editora do Autor para criarem a concorrente Sabiá. Acosta ficou só na casa que estreara em 1960, com a publicação de "Furacão sobre Cuba", crônicas sobre a Revolução Cubana feitas por Sartre, que esteve no país em uma das primeiras noites de autógrafos em massa que o país conheceu (19/9/60, Copacabana).
E aí passou a valer a frase salingeriana. "Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz."Depois que Sabino e Braga saíram, arrastando com eles uma penca de autores do porte de Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, a Editora do Autor lançou alguns poucos títulos, mas foram basicamente dois os volumes que ficaram à mostra, em paz, em sua redoma de vidro.Estudioso do direito, Acosta publicara na editora o livro "O Processo Penal". Com 110 mil exemplares vendidos até hoje, o trabalho dividiu o encolhido catálogo da Editora do Autor com "O Apanhador", hoje às margens dos 200 mil volumes vendidos.
Aos 85 anos, um a mais do que Salinger, que ainda silencia em seu rancho, Acosta está abrindo seu mostruário de vidro de modo significativo pela primeira vez em décadas.A Editora do Autor está colocando no mercado novamente os esgotados "Nove Estórias" e "Franny e Zooey" (este atingindo, aos 36 anos, sua segunda edição) e relançando "O Apanhador".
Os três livros de Salinger (o quarto, "Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira/Seymour: Uma Introdução", passou pelas mãos de Acosta, que achou "um livro muito esquisito", e está hoje no catálogo da Companhia das Letras) voltam com cara nova.As mudanças gráficas são discretas. Não poderiam não ser. No contrato que guarda no cofre da sua editora, um contrato permanente, Acosta diz que as exigências de Salinger são cristalinas. Nada de fotos do autor (e não são mais do que quatro as que se conhecem dele até hoje), nada de textos introdutórios, de apresentações nas orelhas do livro ou em suas costas. Nada de desenhos nas capas, que devem trazer a tradução literal dos títulos das obras. "Na tradução original que recebemos, o título de "O Apanhador" seria "O Sentinela do Abismo". Salinger não aceitou. Rubem Braga é quem criou o título com que conhecemos o livro", conta Acosta.
Além do novo projeto gráfico, os Salingers agora repaginados não trazem grande novidade. A única reforma foi um trabalho de sintonia fina do texto. "Eu mesmo fiz a revisão. É meu hobby. Desafio os leitores a encontrarem algum erro", conta o editor.
Difícil pensar em ortografia diante da literatura transparente de Salinger (e não é por acaso que os protagonistas de "Nove Estórias" e "Franny e Zooey" são a família Glass -vidro, em inglês- e que um deles, dos personagens mais bem acabados do escritor, se chama Seymour -see more, ver mais em inglês).Autor de talha pré-minimalista -como apontou o escritor Caio Fernando Abreu-, a literatura de Salinger é frequentemente comparada com o budismo.
Uma frase zen, de "Nove Estórias", seria um bom começo para entender o trabalho do escritor. "Nós todos conhecemos o som de duas mãos que aplaudem. Mas qual será o som de uma única mão que aplaude?"As respostas, e os aplausos mudos, estão de volta às prateleiras.


FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u31939.shtml
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01 junho, 2009

vou esperar amanhecer




nem tente entender

claro que serás feliz

sorrirei quando o sol surgir

fugirei sentindo teu faro

serás então brilho raro

na tez da minha manhã

e terás enfim a certeza

na beleza do riso estampado:


serás meu grande amor



wallace puosso